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História de São Vicente janeiro 8, 2007

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Paulo Victor de Olveira Batista
Coordenador do Blog
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1. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 8, 2007

BREVE HISTÓRIA DE SÃO VICENTE

Martim Afonso de Sousa não veio diretamente para São Vicente. Em janeiro de 1531, ele chegou a Pernambuco e, dali, mandou um mensageiro voltar a Portugal levando notícias ao Rei, enquanto seguia para o Sul. Aportou na Bahia, onde se encontrou com o famoso Caramuru. De acordo com os registros, em 30 de abril de 1531 ele chegava à Baía da Guanabara, onde mandou construir uma casa forte e instalar uma pequena ferraria para reparo das naus.

Em 1º de agosto, a expedição continuou seu caminho, chegando em 12 de agosto à Baía de Cananéia, onde o navegador português encontrou portugueses e espanhóis. Nessa viagem pela costa brasileira, durante quase um ano, Martim Afonso de Sousa enfrentou tempestades, assistiu ao naufrágio da nau capitânia e participou de um combate a navios franceses que faziam contrabando de pau-brasil.

Em 20 de janeiro de 1532, a esquadra vê surgir a Ilha de São Vicente. Porém, o mau tempo impediu a entrada dos navios na barra e a descida à terra firme só aconteceu no dia 22 de janeiro. Coincidentemente, nesse mesmo dia, 30 anos antes, a expedição do também navegador português, Gaspar Lemos, havia chegado aqui e batizado o local como São Vicente, em homenagem a São Vicente Mártir. Martim Afonso de Sousa, católico fervoroso, ratificou o nome.

Isso porque, logo após a sua chegada, ele adotou as medidas recomendadas pelo Rei de Portugal e organizou um sistema político-administrativo nas novas terras. Assim, após batizar o local oficialmente como Vila de São Vicente, Martim Afonso de Sousa instalou aqui a Câmara, o Pelourinho, a Cadeia e a Igreja, símbolos da colonização e bases da administração portuguesa.

Para São Vicente, o título de Vila representava mais benefícios para o povo, já que esse era o termo utilizado pelos portugueses para designar uma cidade organizada. É desse fato que deriva o título vicentino de Cellula Mater da Nacionalidade, ou Primeira Cidade do Brasil.

Pela importância estratégica do local, Martim Afonso de Sousa coordenou, em 22 de agosto de 1532, as primeiras eleições populares das Três Américas, instalando a primeira Câmara de Vereadores do continente. Por esse motivo, São Vicente é considerado como o Berço da Democracia Americana.

O navegador português também foi o primeiro a implantar a reforma agrária no Brasil, quatro séculos antes desse tema movimentar a classe política e a sociedade. Ao mesmo tempo, plantou a semente da industrialização e do desenvolvimento agrícola que fez com que, por volta do ano de 1600, São Vicente fosse conhecido como ‘O Celeiro do País’.

Embora em franco desenvolvimento, com a lavoura de cana-de-açúcar crescendo a olhos vistos, a Vila de São Vicente também enfrentava outros problemas além da constante ameaça dos índios. A primeira ocorrência grave se deu quando o espanhol Ruy Moschera, morador de Iguape, atacou a Vila, saqueando o porto e os armazéns e carregando tudo o que ele e seus homens podiam. Antes disso, derrotou em batalha o Padre Gonçalo Monteiro, vigário e homem de confiança de Martim Afonso de Sousa.

Em 1542, ocorreu o pior desastre natural em São Vicente. O mar agitado avançou demais, engoliu a praia a entrou pelas pequenas ruas, destruindo a Igreja Matriz, a Casa do Conselho, a Cadeia, os estaleiros, o pelourinho e inúmeras casas. A Vila teve que ser reconstruída um pouco mais distante do mar.

Mas nem tudo estava resolvido. Por volta de 1560, São Vicente sofreu um maciço ataque dos índios tamoio. Eles se aproveitaram da ausência dos homens, que haviam sido chamados em uma missão de socorro no Rio de Janeiro, e queimaram as plantações, quebraram as ferramentas e utensílios agrícolas e destruíram as fazendas.

Em dezembro de 1591, a São Vicente foi saqueada pelo pirata inglês Thomas Cavendish, que retornava de um ataque a Santos. Ele e seus homens roubaram e atearam fogo em diversas partes da Vila, causando enormes prejuízos. O pirata fugiu, mas um temporal o impediu de seguir viagem Ele retornou e tentou uma nova investida. Porém, desta vez a população das duas vilas estava preparada e Cavendish foi repelido.

Em 1615, outro pirata atacou São Vicente. O holandês Joris Van Spilbergen dividiu seus homens e, enquanto um grupo saqueava a Vila para obter alimentos, o restante dos homens invadia a vila vizinha. Os piratas ocuparam o engenho e entraram em luta com os moradores locais. Os invasores foram expulsos e a vida, aos poucos voltou ao normal.

Com o passar do tempo, os problemas que surgiram eram de outra natureza, principalmente econômica, em virtude do crescimento da região e de São Paulo. A tenacidade de sua gente e a mística de ter sido a Primeira Cidade do Brasil fizeram com que São Vicente enfrentasse os séculos com altivez, mantendo lugar de destaque no contexto do Estado e da Nação. (mais informações)

O Aniversário de São Vicente é comemorado em 22 de JANEIRO.

Fonte: PM SÃO VICENTE

2. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 8, 2007

A CAPITANIA DE SÃO VICENTE
A capitania de São Vicente foi doada pelo Rei de Portugal, D. João III a Martim Affonso de Sousa à 28 de Setembro de 1532. Mas esta não surgiu no momento de sua doação; já que as terras de São Vicente já existiam antes da chegada de seu fundador, Martm Affonso de Sousa. Bem antes de 1531(quando Affonso de Sousa chegou à São Vicente) já existiam portugueses que habitavam esta região junto com os índios.

Muito antes da chegada da armada de Affonso de Sousa já alguns portugueses habitavam a região da capitania de São Vicente, como por exemplo, João Ramalho e Antônio Rodrigues. Estes homens provavelmente eram náufragos portugueses que vieram parar nestas terras nos primeiros anos após a descoberta da nova terra por parte de Cabral.

Estes homens formaram pequenas vilas (ainda não denominadas como vilas) nas regiões da capitania, e viviam junto com os índios destas regiões. Seus primeiros trabalhos na nova terra era um trabalho de agricultura, pois estes homens vinham de regiões agrícolas de Portugal. A caça de escravos índios também era utilizada por esses primeiros homens em terras brasileiras, já que o porto de São Vicente (antes da chegada de Martin Affonso) era conhecido como um porto de escravos. Esses homens que habitavam não só a região de São Vicente, mas também outros portos mais ao sul provavelmente vieram de naus clandestinas que vinham em busca de terras e procuravam chegar ao rio da Prata, tanto que em alguns portos da mesma época também residiam náufragos espanhóis, que provavelmente buscavam o caminho do rio da Prata.

A chegada de Martim Affonso de Sousa, e também sua instalação na nova terra foi facilitada devido a esses portugueses que já viviam a anos na nova terra e tinham relações mais concretas com os índios da região. Acreditamos que, já na saída de Portugal, Martim Affonso de Sousa já sabia da existência de homens portugueses nas terras que iria explorar e colonizar.

Em 21 de Janeiro de 1532, Marim Affonso de Sousa desembarca em São Vicente e com ajuda de João Ramalho funda a primeira vila brasileira, derivada do antigo porto existente, a vila de São Vicente. Com a ajuda também de João Ramalho, Martim Affonso de Sousa funda também a vila do Piratininga no alto da serra (atual serra do mar).

Martim Affonso de Sousa não permaneceu no Brasil e voltou a Portugal, mas deixou muitos de seus homens em terras brasileira, como por exemplo Braz Cubas que depois se tornou capitão-mor da capitania. Esses homens que ficaram foram aqueles que realmente começaram a colonizar mais intensificamente a capitania de São Vicente, pois começaram a comandar e a organizar a nova terra descoberta.

daniele dos santos teixeira - dezembro 12, 2009

eu queria saber em que dia Martim afonso de souza fez a 1ª eleição na camâra municipal de são vicente???? por favor hj fui fazer a prova do camps e nao soube responder essa pergunta…

3. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 8, 2007

JOÃO RAMALHO

Sertanejo, pioneiro, 1493(?) – 1580

Fernando Correia da Silva

POR ENTRE DUAS ÁGUAS ATRAVESSEI A VIDA…
QUANDO TUDO ACONTECEU…

1493 (?): Nascimento de João Ramalho, em Vouzela, distrito de Viseu. – 1512 (?): Sua viagem para o Brasil. – 1514 (?): É aceite pela tribo tupiniquim chefiada pelo cacique Tibiriçá, o qual lhe dá como esposa a sua filha Potira. – 1532: Ajuda Martim Afonso de Sousa a fundar a vila de São Vicente (no litoral do actual Estado de São Paulo). – 1553: Funda e é nomeado Alcaide-mor da vila de Santo André da Borda do Campo, no planalto de Piratininga. – 1554: Ajuda o jesuíta Padre Manuel da Nóbrega a levantar a povoação de São Paulo de Piratininga. – 1560: Mem de Sá, Governador-geral do Brasil, extingue a vila de Santo André e promove São Paulo a vila. – 1562: João Ramalho, com a ajuda de Tibiriçá, comanda a defesa de São Paulo contra o ataque da chamada “confederação dos tamoios”. – 1564: Recusa o cargo de vereador da vila de São Paulo e retira-se para o vale do Paraíba. – 1580: Morre João Ramalho em São Paulo.

4. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 8, 2007

Início da povoação
De acordo com os registros históricos, Antonio Rodrigues, João Ramalho e Mestre Cosme Fernandes, o “Bacharel” foram os primeiros portugueses a viver em São Vicente. Provavelmente eles eram tripulantes da armada de Francisco de Almeida e desembarcaram aqui em 1493.
João Ramalho era casado com a índia Bartira, filha do poderoso Cacique Tibiriçá. Antonio Rodrigues também se casou com uma índia, filha do Cacique Piquerobi. Mestre Cosme era dono do Japuí e do Porto das Naus, onde construiu um estaleiro muito conhecido pelos navegadores da época.
A pequena povoação se organizou e começou a ser reconhecida na Europa como eficiente ponto de parada para reabastecimento e tráfico de escravos índios.
O porto que lá existia já constava em um mapa feito em 1501 e trazido por Américo Vespúcio na expedição de Gaspar de Lemos, que chegou em 22 de janeiro de 1502 e batizou o local como São Vicente, em homenagem a São Vicente Mártir.
Redação: Aline F. Cardoso – RankBrasil – 26/01/2004

5. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 8, 2007

Distante poucos metros de uma das cabeceiras da Ponte Pênsil, o Porto das Naus, um dos locais históricos vicentinos mais antigos, considerado o primeiro trapiche alfandegário do Brasil, ficou por décadas abandonado. Em 13 de junho de 1982, essa situação foi denunciada em matéria do jornal santista A Tribuna:

Porto das Naus, um dos monumentos mais antigos de São Vicente,
continua relegado ao abandono, apesar de ter sido tombado
Foto publicada com a matéria
Porto das Naus ainda relegado ao abandono

SÃO VICENTE – No dia 30 de abril, o ex-secretário da Cultura, deputado Cunha Bueno, em um dos seus últimos atos à frente daquela pasta, esteve em São Vicente, para, juntamente com representantes do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado – Condephaat -, oficializar o tombamento da velha Ponte Pênsil, numa homenagem aos 68 anos da obra e ao 450º aniversário da fundação da “Cellula Mater” do Brasil. Após os discursos de praxe, entremeados de salvas de palmas, o ex-secretário descerrou a placa colocada na cabeceira da ponte, no final da Avenida Newton Prado, garantindo sua preservação, sob a tutela do Governo Estadual.

Mas, a poucos metros dali, nas proximidades da outra cabeceira da lendária Ponte Pênsil, às margens da Avenida Tupiniquins, algumas ruínas históricas continuavam a ser menosprezadas pelas autoridades. Estamos falando do Porto das Naus, um dos únicos monumentos que restaram para contar a história da cidade mais antiga do País e que, por omissão dos responsáveis, parece também condenado a desaparecer por completo, num procedimento que já se transformou em tradição no que se refere ao passado do território vicentino.

Hoje, o Porto das Naus, considerado como o primeiro trapiche alfandegário do Brasil, é a própria imagem do abandono, e as ruínas que ali se encontram, datadas do século 16, estão sucumbindo à ação do tempo e dos vândalos. Esse é o retrato de um dos monumentos históricos de São Vicente, no ano em que o município completa quatro séculos e meio de existência. Contudo, por incrível que pareça, o local também se encontra sob a tutela do Condephaat, pois foi “contemplado” com a mesma distinção que recentemente coube à Ponte Pênsil.

Promessas – Em 1977, também entre palmas e discursos, o Governo Estadual, através do Condephaat, tombou aquelas ruínas. Junto com o tombamento, vieram as promessas de que o logradouro receberia serviços de recuperação, já que o principal objetivo da medida de preservação era evitar o desaparecimento da memória viva do nosso passado colonial.

Na época, todos acreditaram que o tombamento garantiria finalmente, para a cidade, a conservação daquele monumento. A euforia, no caso, era reforçada pelo fato de que, em 77, São Vicente também fora elevada à categoria de estância balneária, o que, em teoria, possibilitaria, por intermédio de verbas estaduais, a agilização do potencial turístico do município, onde as tradições históricas ocupariam lugar de destaque.

Mas, a exemplo do que aconteceu com o título de estância balneária, o tombamento do Porto das Naus também se constituiu, com o passar dos anos, numa tremenda decepção para os vicentinos. As promessas de recuperação das ruínas eram sempre renovadas pelas autoridades estaduais e, durante a administração municipal anterior, o ex-prefeito Koyu Iha chegou a ser informado de que o Condephaat já tinha um projeto pronto para recuperar o logradouro. Faltava apenas viabilizar os tão famosos recursos. O tempo foi passando, os recursos não chegavam, o projeto amarelava na gaveta e as ruínas do Porto das Naus iam sumindo.

Embora esteja tombado pelo Condephaat desde 1977, o monumento,
um dos mais antigos da cidade…
Foto publicada com a matéria
Mais promessas – Em fevereiro de 1981, porém, as esperanças se reavivaram. O então secretário da Cultura veio naquele mês a São Vicente participar de uma solenidade comemorativa do aniversário do Instituto Histórico e Geográfico do município. O prefeito Antônio Fernando dos Reis, que há poucos dias havia assumido a Prefeitura, após a renúncia de Koyu, ficou contente ao saber do deputado Cunha Bueno que a recuperação do Porto das Naus começaria em breve, já que, segundo o ex-secretário, a intenção do Governo Estadual era homenagear São Vicente por ocasião do seu 450º aniversário, que ocorreria no próximo ano.

Outra promessa renovada, outra decepção para São Vicente. O ano de 81 transcorreu sem que o Governo Estadual sequer voltasse a comentar a concretização do tal projeto do Condephaat para recuperar as ruínas.

No entanto, o Porto das Naus voltou ao noticiário dos jornais, e de forma melancólica. Em 1924, o então presidente do Estado, Washington Luiz, colocou no local uma placa com os seguintes dizeres: “Presidente do Estado, Dr. Washington Luiz Pereira de Souza – XX – IV – MCMXXIV – PORTO DAS NAUS – As ruínas que aqui se vêem são restos do antigo ancoradouro das naus do tempo de Martim Afonso de Souza”.

Pois bem, num belo dia do segundo semestre de 81, a placa foi roubada do pedestal que a sustentava. Ironicamente, o nome do fundidor da placa, em 1924, era H. Maluf, conforme esclareceu o historiador Jaime Caldas. (N.E.: a alusão é ao fato de o governador em 1981 ser Paulo Salim Maluf, cujo sobrenome seria popularizado como um neologismo, o verbo malufar, no sentido de enganar, roubar).

Mais e mais promessas – O ano de 82 chegou, a cidade mais antiga do Brasil comemorava quatro séculos e meio de existência, e um dos seus únicos monumentos históricos permanecia relegado ao abandono, para o qual até a administração municipal contribuía, já que nem os serviços de conservação e limpeza das áreas ajardinadas que circundam as ruínas vinham sendo realizados. E no dia 30 de abril, o deputado Cunha Bueno voltava ao município, para homenagear os 450 anos de São Vicente, formalizando o tombamento da Ponte Pênsil pelo Condephaat.

Depois dos discursos e das palmas, e após o ex-secretário ter justificado o por quê da iniciativa de preservação da velha ponte, os repórteres insistiram em relembrar ao deputado que, a poucos metros dali, as ruínas do Porto das Naus ainda estavam aguardando uma melhor atenção do Governo Estadual. O ex-secretário não soube informar quando os serviços de recuperação seriam iniciados, declarando apenas que o assunto continuava “sendo estudado” pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Há algumas semanas, Cunha Bueno deixou a Secretaria Estadual de Cultura, desincompatibilizando-se do cargo para tentar a reeleição como deputado. E o Porto das Naus continua abandonado.

… continua releado ao abandono, destruído pelo tempo e por vândalos
Foto publicada com a matéria
Frustração – De acordo com o historiador Jaime Caldas, que cita outro historiador vicentino, Francisco Martins dos Santos, já falecido, as ruínas que hoje existem no Porto das Naus são do antigo engenho de cana-de-açúcar de Jerônimo Leitão, construído em 1580 sobre os alicerces e paredões do mais velho trapiche alfandegário do Brasil, criado em 1532 (ano da fundação de São Vicente) e que precedeu todas as alfândegas do País.

O engenho foi destruído, juntamente com a Capela de Nossa Senhora das Naus, pelos corsários holandeses comandados pelo famoso pirata Joris van Spilberg, no ano de 1615, restando apenas as ruínas que atualmente permanecem no local.

Conforme Jaime Caldas, há muita divergência entre os historiadores quanto a determinados aspectos históricos do Porto das Naus, chegando-se inclusive a afirmar que as ruínas atuais pertencem ao antigo ancoradouro das naus de Martim Afonso, quando na verdade elas são remanescentes do engenho de açúcar construído posteriormente no local.

De qualquer forma, o valor histórico do Porto das Naus não é contestado por ninguém, tanto que o próprio Condephaat, tão criterioso em suas pesquisas, optou pelo tombamento das ruínas. Mas os recursos para a recuperação…

O Porto das Naus, em 2004. Ao fundo, a Ponte Pênsil…
Foto: João Vieira, in caderno Turismo do jornal santista A Tribuna, em 7 de novembro de 2004

6. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 8, 2007

Origem do Nome

A história da origem do nome de São Vicente começou há muito tempo, no ano 325, na cidade espanhola de Huesca, uma então Província de Saragoza. Lá nasceu o jovem Vicente, padre dedicado que se destacava por seu trabalho, tanto que o bispo de Saragoza, Valério, lhe confiou a missão de pregador cristão e doutrinador catequético.

Valério e Vicente enfrentavam, naquela época, o imperador Diocleciano, que perseguia os cristãos na Espanha. Os dois acabaram sendo presos por um dos homens de confiança do imperador, Daciano, que baniu o bispo e condenou Vicente à tortura. O martírio sofrido por Vicente foi tão brutal, a ponto de surpreender os carrascos. Eles relataram a impressionante resistência do rapaz que, mesmo com gravetos de ferro entre as unhas e colocado sobre uma grelha de ferro para ser queimado aos poucos, não negou a fé cristã.

Ao final daquele dia 22 de janeiro, os carrascos decidiram matar-lhe com garfos de ferro, dilacerando-o completamente. Seu corpo foi jogado às aves de rapina. Os relatos dão conta de que uma delas, um corvo, espantava as outras aves, evitando a aproximação das demais. Os carrascos decidiram, então, jogá-lo ao mar.
O corpo de Vicente foi resgatado por cristãos, que o sepultaram em uma capela perto de Valência. Depois, seus restos mortais foram levados à Abadia de Castes, na França, onde foram registrados milagres. Em seguida, foram levados para Lisboa, na Catedral da Sé, onde estão até hoje. Vicente foi canonizado e recebeu o nome de São Vicente Mártir, hoje santo padroeiro de São Vicente e de Lisboa. Desde então, o dia 22 de janeiro é dedicado a ele.
Por isso, quando a expedição portuguesa comandada por Gaspar de Lemos chegou aqui, em 22 de janeiro de 1502, deu à ilha o nome de São Vicente, pois o local era conhecido, até então, como Ilha de Gohayó.

Outro navegador português, Martim Afonso de Sousa, chegou aqui exatamente 30 anos depois, em 22 de janeiro de 1532. Ele foi enviado pela Coroa Portuguesa para constituir aqui a primeira Vila do Brasil e resolveu batizá-la reafirmando o nome do santo daquele dia, São Vicente, pois era reconhecidamente um católico fervoroso.

7. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 8, 2007

SÃO VICENTE – SP
” Berço da Democracia Americana ”
Aniversário – 22 de JANEIRO (1532)

SOBRE A CIDADE DE SÃO VICENTE

Área da unidade territorial: 148,8 Km2
Latitude do distrito sede do município: -23,5747º
Longitude do distrito sede do município: -46,2331º
Altitude: 06m

Prefeito 2005/08: Tercio Augusto Garcia Júnior – PSB

Estimativa Populacional IBGE-2005: 325.437 hab.
Participação FUNDEF-2005: R$ 56.183.822,56
Fundo Part. Municípios FPM-2005: R$ 19.641.666,83

Estimativa Populacional IBGE-2004: 321.474hab.
Participação FUNDEF-2004: R$ 48.707.589,23
Fundo Part. Municípios FPM-2004: R$ 15.824.523,23

Resultados do Universo do Censo 2000

Valor do Fundo de Participação dos Municípios (FPM):
R$ 9.590.725,74

População residente
Total: 302.678
Homens: 146.760
Mulheres: 155.918
Urbana: 302.541
Rural: 137

População residente de 10 anos ou mais de idade
Total: 248.866
Alfabetizada: 235.808
Taxa de alfabetização: 94,75%

(2004)
Estabelecimentos de ensino pré-escolar: 136
Estabelecimentos de ensino fundamental: 89
Estabelecimentos de ensino médio: 37
Hospitais: 01
Agências bancárias: 17

8. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 8, 2007

Passado esquecido
“Dentro do porto de São Vicente há duas ilhas grandes habitadas de índios… Na ilha ocidental têm os os portugueses um povoado chamado São Vicente, de dez ou doze casas, uma feita de pedra com seus telhados, e uma torre para defesa contra os índios em tempo de necessidade. Estão providos de coisas da terra, de galinhas e porcos de Espanha e com muita abundância, e hortaliça”
Diego Garcia, navegador espanhol que passou por São Vicente em 1527

São Vicente correu atrás do futuro e esqueceu o passado. Carrega o título de primeira vila organizada no Brasil dos tempos coloniais. Hoje, está cheia de prédios e vazia de memória. Não lhe falta história. Espremida entre a poluição do porto de Santos e a fumaça das indústrias de Cubatão, São Vicente, no litoral paulista, tem quase a idade do país. Seu nome já aparecia nos mapas dos navegadores europeus em 1502.
Agora, não há preservada uma só construção do século XVI. O único museu sobrevive entre goteiras e mato. O município, de 300 mil habitantes, entrou na modernidade tentando seguir o exemplo de seus vizinhos. Não conseguiu. As indústrias fracassaram, não há porto. A agricultura é de bananas. Nem sempre foi assim. Quando a metrópole Lisboa repartiu as terras brasileiras em capitanias hereditárias e inaugurou a economia da colônia, foi São Vicente que deu a largada para o ciclo da cana-de-açúcar. Criou três filhos importantes, um deles polêmico: a democracia tupiniquim, a escravidão e a cidade de São Paulo.

De lá, 13 jesuítas saíram para fundar São Paulo, em 1554. Também foi ali que os portugueses construíram a primeira Câmara dos Deputados das Américas.

Ao lado, fizeram um pelourinho — amontoado de pedras para açoitar índios escravos. A São Vicente pioneira virou uma cidade que sofre com problemas modernos. A rede de esgotos ainda não chegou para 58% dos moradores. A maioria das casas fica na fatia insular do município, uma ilha cercada de 14 favelas — pelo menos 50 mil pessoas vivem nelas. Equilibram-se em palafitas. Para a classe média, o problema está nas praias de areias lotadas no verão e águas castigadas pela poluição do porto santista. De bom, existem os pacatos vicentinos, gente de cor misturada, herança da colonização — ali, portugueses, índios e negros começaram a virar brasileiros. Com São Vicente, o Correio Braziliense publica hoje o segundo capítulo da série de reportagens sobre os 500 anos do Descobrimento — o primeiro mostrou Cabrália, na Bahia, onde Pedro Álvares Cabral desembarcou.

Em comum, as duas cidades revelam um país de costas para o passado. Oscila entre desprezá-lo e inventá-lo — São Vicente data, nos registros oficiais, de 22 de janeiro de 1532, quando Martim Afonso de Souza desembarcou por lá como donatário do território. Três décadas antes, no entanto, um bacharel de nome Cosme Fernandes, português e judeu degredado pela metrópole, era largado ali pela esquadra de Américo Vespúcio. Construiu 12 casas, um forte e um estaleiro. Traficou escravos e criou galinhas. Não ganhou nem nome de rua.

Martim Afonso e Cosme Fernandes não passam de ilustres desconhecidos para Sérgio de Oliveira, 23 anos, nascido e criado nas palafitas vicentinas. Não sabe nada do passado de sua terra, mas tem decorado o preço de um cigarro de maconha, R$ 5, de uma pedra de crack, R$ 5, e de sete carreiras de cocaína, R$ 10. São valores diurnos.

De noite, a droga é mais cara nas esquinas do bairro de Sérgio, favela México 70, a maior do município — ganhou este nome por conta da tri-campeonato mundial de futebol.

‘‘Não existe favela sem droga’’, resume o rapaz, que vende cachaça como água num boteco. Sobrevive de fiado — só em janeiro foram R$ 500 em compras sem pagamento. Confia nos clientes. ‘‘Aqui o máximo que entra é malandro. Malandro rouba de rico, safado rouba de pobre’’, ensina ao lado do pupilo Eduardo, menino de 5 anos.

O tóxico chega em São Vicente pelo porto de Santos. De lá, os vicentinos também importam a Aids. A pacata primeira cidade brasileira está em 13º lugar no ranking nacional de pessoas contaminadas pelo HIV.

‘‘Santos exporta para nós tudo que o porto tem de ruim: tráfico, Aids e poluição’’, lamenta o prefeito Márcio França.

É. Nos 146 km quadrados de terras e águas vicentinas, há um shopping, um hospital, um cinema e o prefeito socialista Márcio, 33 anos, homem do PSB que aprendeu cedo a fazer política de alianças.

Chegou à prefeitura com apoio de oito partidos. Juntou o PPB de Paulo Maluf com o PSDB de Mário Covas, tradicionais inimigos na capital paulista. Só o PT lhe faz oposição, mas não chega a atrapalhar: existem apenas dois vereadores petistas.

SHOPPING E INFIDELIDADE

Para governar, o prefeito usa a máxima: ‘‘quem está convencido, convence’’. Vale para tudo, inclusive para mudar o passado. Sócio militante da maçonaria local, uma das poderosas instituições vicentinas, Márcio França descobriu que o currículo de São Vicente pode lhe render marketing e dividendos.

Planeja mega-investimentos — de até R$ 150 milhões — que reproduzam a antiga São Vicente. São shoppings comerciais e culturais e nenhuma fidelidade à história.

Um exemplo: está fazendo um centro cultural numa casa datada do século XIX e que ganhou da prefeitura nome e placa de residência de Martim Afonso de Souza, o português que passou por ali em 1532.

‘‘Se ele não morou ali. A gente faz de conta que morou’’, diz o prefeito, que comanda a única cidade do país que tem em seu brasão a expressão ‘‘cellula mater da nacionalidade’’.

O hábito de reinventar a história convive com o abandono do pouco de passado que sobrou na cidade. O Porto das Naus, onde os portugueses desembarcaram no século XVI, se resume hoje a uma pilha de pedras cercadas de lixo.

Carece de placas explicativas. Se existissem, diriam que ali funcionou o primeiro estaleiro da colônia — faziam ‘‘bergantins’’, embarcações velozes com dois mastros e remos. Também era o lugar onde os navegadores contratavam os ‘‘Língua da Terra’’ — intérpretes — entre brancos e índios.

Além do porto, o que restou do século XVI é um pedaço de parede da primeira fortaleza brasileira, erguida por Cosme Fernandes para a defesa dos ataques indígenas. Era a Casa de Pedra. Hoje, está esquecida num estacionamento privado de nome Tomy Park. O dono pintou as pedras de branco.

‘‘Gostei da cidade, mas acho que poderia ter mais informação sobre a Colonização. Bons são os bares’’, reclamou Marcelo Buarque, professor gaúcho e um dos 900 mil turistas que visitam São Vicente no verão quente — tão quente que os policiais militares trabalham de bermudas.

UMA TERRA DE MUITOS SÓIS

A maioria dos veranistas fica em apartamentos de temporada — o melhor hotel é um duas estrelas que nos dias de semana funciona como motel.

No verão, o clima ajuda os vicentinos: ‘‘é uma terra de muitos sóis’’, escreveu José de Anchieta, o famoso jesuíta português que saiu de São Vicente, atravessou 77 quilômetros de Serra do Mar para criar São Paulo.

Antes fez, em São Vicente, o segundo colégio de Jesuítas do Brasil — o primeiro foi na Bahia. Não há mais nem ruínas dele.

‘‘Nem sabia desse Colégio’’, admite Luciane Orlando, 15 anos. Em janeiro, ela ganhou o concurso da Secretaria de Cultura sobre a história vicentina. Fez uma redação rigorosamente bem escrita mas com muitas gafes históricas. O prêmio, uma viagem à Porto Seguro. ‘‘Não foi lá que Cabral chegou ?’’, pergunta a menina. Não, foi em Santa Cruz de Cabrália.

9. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 8, 2007

BIOGRAFIA
Benedito Calixto
Benedito Calixto de Jesus (Conceição de Itanhaém SP 1853 – São Paulo SP 1927) transfere-se para Brotas, interior de São Paulo, onde inicia a carreira artística, provavelmente como autodidata. Realiza a primeira individual em 1881, na sede do Correio Paulistano, em São Paulo. Muda-se para Santos e faz a decoração do teto do Teatro Guarani. Em 1883, viaja a Paris para estudar desenho e pintura com recursos concedidos pelo Visconde Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. Freqüenta o ateliê de Raffaelli e a Académie Julien, como aluno de Gustave Boulanger, Jules Lefèbvre, Robert Fleury e Bouguereau. Retorna ao Brasil em 1884, fixa-se em Santos e mais tarde em São Vicente. Em 1895, publica Vila de Itanhaém, o primeiro de uma série de livros relacionados à história, etnografia e arqueologia do litoral paulista. A partir de 1909, realiza decorações e murais para igrejas e conventos do interior de São Paulo. Participa da 1ª Exposição de Arte Brasileira, promovida pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, em 1911.
Fonte: Itaú Cultural
Atualizado em 05/02/2004

10. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 9, 2007

São Vicente

São Vicente é um município do estado de São Paulo, na Região Metropolitana da Baixada Santista, na microrregião de Santos. A população estimada em 2006 era de 329.370 habitantes e a área é de 148 km², o que resulta numa densidade demográfica de 2123,73 hab/km². É considerado oficialmente um balneário.

Foi a primeira vila fundada pelos portugueses na América [1], em 1532. Hoje, a cidade, situada na metade ocidental da Ilha de São Vicente, que compartilha com Santos, baseia sua economia no turismo.

Parte do município se estende pelo continente, em duas porções distintas: o bairro de Japuí, ligado à cidade por uma ponte pênsil construída em 1914, no caminho a Praia Grande, e o distrito de Samaritá, que inclui também os bairros de Humaitá, Parque das Bandeiras, Vila Ema e o Quarentenário, situados ao longo da Rodovia Padre Manuel da Nóbrega, entre Cubatão, Praia Grande e os contrafortes da Serra do Mar

11. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 9, 2007

CAPITANIA DE SÃO VICENTE

A Capitania de São Vicente foi uma das capitanias hereditárias, estabelecidas por D. João III (1521-1557), em 1534, no Brasil Colônia, visando a incrementar o povoamento e defesa do território.

Seu primeiro donatário foi Martim Afonso de Sousa e foi dividida em duas secções, das quais a mais setentrional foi abandonada pelo donatário e refundada em 1567 como Capitania do Rio de Janeiro sob o comando de Salvador Correia de Sá.

Assim como unicamente a Capitania de Pernambuco, a capitania de São Vicente obteve prosperidade econômica graças ao cultivo da cana-de-açúcar.

Além da vila de São Vicente, fundada em 1530 por Martim Afonso de Sousa e posteriormente devastada por um maremoto, progressivamente foram sendo fundadas outras povoações como Santos, Santo André da Borda do Campo, São Paulo dos Campos de Piratininga, entre outras.

Nela teve enorme papel Brás Cubas, colonizador e sertanista, um dos fundadores da vila de Santos. De família nobre, filho de João Pires Cubas e Isabel Nunes, veio para o Brasil com Martim Afonso de Sousa e governou por duas vezes a capitania de São Vicente (1545-1549 e 1555-1556).

Brás Cubas chegou a ser o maior proprietário de terras da zona litorânea. Em 1543, fundou a primeira Santa Casa de Misericórdia, à qual chamou Todos os Santos, nome que passaria à vila de Santos, cujo porto era mais bem localizado que o de São Vicente. Em 1551, foi nomeado por D. João III provedor e contador das rendas e direitos da capitania; no ano seguinte, construiu o Forte de São Felipe na ilha de Santo Amaro. Teve participação destacada na defesa da capitania contra os ataques dos Tamoios aliados aos franceses. Mais tarde, por ordem do terceiro governador-geral Mem de Sá, realizou expedições ao interior em busca de ouro e prata e teria chegado até a Chapada Diamantina no sertão baiano. Ao morrer, era fidalgo da Casa Real e um dos homens mais respeitados da capitania. O título de alcaide-mor da vila de Santos passou a seu filho, Pero Cubas.

Em 17 de abril de 1709 a capitania tem seu nome modificado para Capitania de São Paulo e Minas de Ouro que a esta altura, pelo ação desbravadora dos bandeirantes já tinha um território muitas vezes maior, abrangendo grosso modo o que hoje são os estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia.

12. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 9, 2007

CLUBE DE REGATAS TUMIARU

Uma história de pioneirismo e conquistas

Uma reunião realizada a 22 de dezembro de 1905, no velho Rinque Vicentino, localizado na Rua XV de Novembro, esquina com a Rua Jacob Emmerich, marcava a fundação daquela que viria a ser a mais tradicional agremiação esportivo-social de todo o Litoral Paulista. O ato de fundação foi presidido por Mário da Cunha Nogueira e secretariado por Anthero Bloen Martins e Manoel Geraldo Forjaz Júnior e contou com a participação de muitos amigos e simpatizantes.

O nome “Clube de Regatas Tumiaru”, foi sugestão de Salvador Malaquias Leal que levou em consideração ser esse o nome do histórico Porto de São Vicente. A mesma personalidade ainda sugeriu as cores preto e branco para a bandeira e uniformes do clube cujo principal objetivo era o congraçamento da juventude, através da prática desportiva, especialmente no campo náutico. Na ocasião ainda foi proposto por Malaquias Leal que, todos quantos se inscrevessem no clube até 31 de dezembro do ano em curso, fossem considerados
sócios-fundadores.

O Primeiro Presidente

O presidente da primeira diretoria foi o Capitão Theodureto Souto e o Vice-Presidente Mário da Cunha Nogueira. A redação dos estatutos e regimento interno foi designada aos senhores Octávio Veiga e Tullio Polla. Presidente, vice, 1.o e 2.o secretários, tesoureiro e diretores empossados tiveram então a incumbência de escolher o local, onde o clube deveria instalar-se com sua sede náutica. O costão do Morro dos Barbosas, ao lado do porto de embarque e desembarque das canoas que faziam a travessia do Porto Tumiaru ao Porto do Campo, mostrou-se o mais apropriado para a construção da sede. O local foi escolhido pela tranqüilidade das águas e por estar junto a boca do túnel, iniciado e abandonado, da Cia. Polling, construtora da estrada de ferro Santos-Juquiá, que desviou o traçado da ferrovia em direção ao Largo dos Barreiros, deixando assim, grande facilidade, para extração do aterro necessário e terraplanagem da área destinada à construção do barracão provisório.

O sentimento de união em prol do bem comum imperava entre os fundadores e, afim de não sobrecarregar a despesa daquela construção, um grupo de sócios, abnegados, chamou para si esse trabalho. Munidos de muita vontade, operaram carrinhos de mão por várias manhãs e tardes, colocando à disposição da causa até suas horas de lazer. Esse barracão, que fora construído à guiza de garage, e que também servia de sede social, foi inaugurado em 1906, quando o Tumiaru comemorava o primeiro aniversário da sua fundação.

Anos 70

A década de 70 foi brindada com inúmeras obras e restauração do patrimônio já edificado. A nova era de diretores possibilitou um maior bem estar ao lazer do associado. Em 1978, sob a presidência do Sr. Dr. Nicolino Bozzella, realizou-se a construção da nova sede social, na praça Cel. Lopes, concluída em 1979, sendo inaugurada no dia 9 de março do mesmo ano. No decorrer de 1980, foram realizadas diversas melhorias nas instalações do clube, tais como: novas dependências no restaurante, transformação do salão térreo da sede social com moderna decoração em madeira artisticamente entalhada, além da aquisição do imóvel n.o 28 da Rua Expedicionários Vicentinos visando a ampliação das instalações do clube.

Anos 80

Dando prosseguimento as diversas intervenções de caráter inovador para a época o clube foi implementando de diversas atividades sociais com a vinda de grandes artistas da musica popular brasileira como Jair Rodrigues, Roberto Carlos, Nara Leão, e foi no Clube de Regatas Tumiaru uma das ultimas apresentações da saudosa cantora Elis Regina com o show Trem Azul. Não somente no aspecto social o Clube de Regatas Tumiaru se destaca como também nas disputas esportivas efetuadas pela sua equipe de natação, futsal que trouxeram ao clube destaque na mídia local.

Anos 90

Na segunda metade da década de 90, mais exatamente no ano de 1995 o Clube de Regatas Tumiaru é assumido pelo empresário Antonio Roberto Manzanares que implementa o processo de informatização do clube, além do saneamento financeiro que era exigido pelo quadro associativo, já que os clubes de uma forma geral passavam por sérias dificuldades financeiras, e foi através de sua diretoria que o clube encontrou o seu equilíbrio e também a construção de seu novo parque aquático em nossa sede náutica um dos marcos de sua administração. Em 2001 assume a presidência o Prof. Valmor Sousa da Silva que dá continuidade ao trabalho e da uma guinada na filosofia do clube, em não ser somente social e esportivo o clube começa a se impor na cidade como a maior academia da região, além das reformas estruturais que o clube necessitava para a definitiva entrada na área do fitness. Em 2006 assume a presidência o atual presidente empresário Kelerson Julio Oliveira da Silva com seu espírito empresário e administrador alavanca o clube para o fitness com a implantação de diversas novas modalidades perfazendo um total de 22 modalidades em pleno funcionamento, gerando receita ,além da intensa movimentação que o clube recebe todos os dias em sua sede social para a pratica das mesmas.

13. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 9, 2007

Martim Afonso de Sousa (Vila Viçosa, c.1490/1500 — Lisboa, 21 de julho de 1564) foi um nobre e militar português.

Filho de Lopo de Sousa, criado da Casa de Bragança, e de Dona Brites de Albuquerque. Estudou Matemática, Cosmografia e Navegação. Foi nomeado pajem do Duque de Bragança e, mais tarde, do infante D. João, príncipe herdeiro. O qual, ao subir ao trono como D. João III, pediu-lhe em 1525 retornar e o nomeou para posições de prestígio, como o comando da expedição de 1530 ao território brasileiro. Havia vivido quatro anos na Espanha, onde se casou com D. Ana Pimentel e lutou sob Carlos V contra os franceses.

Embora a historiografia tradicional em História do Brasil encare sua expedição como a primeira expedição colonizadora, o Regimento a ele passado permite compreender que o principal objetivo de sua missão era colocar padrões de posse portugueses na bacia do rio da Prata, o que não alcançou em função de ter naufragado na região. Diz-se que sua nomeação como governador do Brasil compreendia a missão de expulsar franceses, descobrir terras, explorar o rio da Prata e fundar núcleos de povoamento.

14. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 10, 2007

São Vicente recebeu nome de

mártir que morreu pela fé

De acordo com a história oficial do Município de São Vicente, a origem do nome remonta ao ano de 325. Na cidade espanhola de Huesca, então Província de Saragoza, nascera o jovem Vicente, padre dedicado que se destacou pelo trabalho a ponto de o bispo local, D. Valério, lhe haver confiado a missão de pregador cristão e doutrinador catequético.
Valério e Vicente defrontavam-se com a fúria do imperador romano Diocleciano, que perseguia os cristãos na Espanha. Acabaram sendo presos por Daciano, um dos homens de confiança do imperador. Daciano baniu o bispo e condenou Vicente à tortura, tentando fazê-lo renegar a fé cristã.
Mas, a resistência física e espiritual do jovem padre ao martírio surpreendeu até os carrascos. Eles relataram a impressionante força de vontade do rapaz que, mesmo com lascas de ferro sob as unhas e colocado numa grelha para ser cozido aos poucos, continuou a reafirmar sua crença.

Na noite de 22 de janeiro, os algozes decidiram matá-lo com garfos de ferro, dilacerando-o completamente. Seu corpo foi jogado às aves de rapina. Os registros dão conta de que uma delas, um corvo, espantava as demais e impedia-as de se aproximarem. Os carrascos resolveram lançar os despojos ao mar.

Resgatado por cristãos, o que restou do cadáver acabou sepultado em uma capela perto de Valência. Depois, foi levado à Abadia de Castes, na França, onde aconteceram os primeiros milagres. Finalmente, seguiu para Lisboa e repousa até hoje na Catedral da Sé.

O jovem religioso foi canonizado com o nome de São Vicente Mártir. Tornou-se padroeiro de São Vicente (SP) e de Lisboa (Portugal). E o dia 22 de janeiro lhe é dedicado. Por isso, em 22 de janeiro de 1502, quando o navegante Gaspar de Lemos chegou no comando de uma expedição lusitana à ilha onde está localizado o município, deu-lhe o nome de São Vicente. Até então, era conhecida como Ilha de Gohayó.

Outro navegante português, Martim Afonso de Sousa, aportou no mesmo local exatamente 30 anos depois. Fora enviado pela Coroa Portuguesa para constituir a primeira Vila do Brasil. Católico fervoroso, resolveu reafirmar o nome do santo do dia.

Os primeiros

Conforme os mesmos registros históricos, Antônio Rodrigues, João Ramalho e mestre Cosme Fernandes, o “Bacharel” foram os primeiros portugueses a viver em São Vicente. Provavelmente, eram tripulantes da armada de Francisco de Almeida e podem ter chegado em 1493.

João Ramalho casou-se com Bartira, filha do poderoso cacique Tibiriçá. Antônio Rodrigues também desposou uma índia, filha do cacique Piquerobi. Mestre Cosme era dono do Japuí e do Porto das Naus, onde construiu um estaleiro muito conhecido pelos navegantes da época.

A pequena povoação organizou-se e começou a ser reconhecida na Europa como eficiente ponto de parada para reabastecimento e tráfico de escravos índios. Tanto isso é verdade que aquele porto já constava do mapa feito em 1501 e trazido por Américo Vespúcio na expedição de Gaspar de Lemos, aportada em 22 de janeiro do ano seguinte.

Os primeiros moradores viviam em harmonia com os índios. Comerciavam livremente com os aventureiros que chegavam à ilha, fornecendo-lhes farinha de mandioca, milho, carne, frutas, água e artefatos de couro. Recebiam em troca roupas, armas e ferramentas.

Tudo isso acontecia no início da década de 1520. Mas, alguns fatos ocorridos a quilômetros dali mudaram a vida dos primeiros moradores de São Vicente. É que em 1526, uma esquadra de seis navios, designada pela Coroa Portuguesa para reforçar a vigilância na costa brasileira e comandada por Cristóvão Jaques, afundou três navios franceses perto da Bahia.

Esse fato alarmou a Corte, que decidiu iniciar a colonização oficial das novas terras conquistadas. D. João III organizou uma expedição e entregou o comando a seu amigo de infância, Martim Afonso de Sousa. Este arregimentou o irmão, o hábil navegador Pero Lopes de Sousa, além de 400 homens que lotaram cinco embarcações. A expedição partiu de Lisboa no dia 3 de dezembro de 1530.

“Cellula Mater”

Martim Afonso de Sousa não veio diretamente para São Vicente. Em janeiro de 1531, chegou a Pernambuco e mandou um mensageiro voltar a Portugal com notícias para o Rei, enquanto seguia para o Sul.

Aportou na Bahia, onde se encontrou com o famoso Caramuru. Em 30 de abril de 1531 chegou à Baía da Guanabara e ordenou a construção de uma casa forte, além de pequena ferraria para reparo das naus.

Em 1º de agosto, a expedição pôs-se de novo a caminho. Chegou em 12 de agosto a Cananéia, onde encontrou portugueses e espanhóis.

Nessa viagem pela costa brasileira, durante quase um ano, Martim Afonso enfrentou tempestades, assistiu ao naufrágio da nau capitânia e participou de um combate contra navios franceses que contrabandeavam pau-brasil.

Em 20 de janeiro de 1532, a esquadra deparou-se com a Ilha de São Vicente, mas o mau tempo impediu a entrada dos navios na barra. O desembarque só aconteceu dois dias depois.

Martim Afonso adotou imediatamente as medidas recomendadas pelo Rei de Portugal e organizou um sistema político-administrativo. Assim, após batizar o local oficialmente como Vila de São Vicente, ordenou a instalação da Câmara, do Pelourinho, da Cadeia e da Igreja, símbolos da colonização e bases da administração portuguesa.

A condição de vila representava mais benefícios para o povo, já que esse era o termo utilizado pelos portugueses para designar uma cidade organizada. Desse fato, deriva o título vicentino de Cellula Mater da Nacionalidade, isto é, Primeira Cidade do Brasil.
Devido à importância estratégica do local, Martim Afonso coordenou, em 22 de agosto de 1532, as primeiras eleições populares para a primeira Câmara de Vereadores do continente americano. São Vicente tornou-se, assim, o berço da democracia na América, quase cem anos antes de os primeiros colonizadores norte-americanos enveredarem por esse caminho em Massachussetts.

Reforma agrária

O navegante português também foi o primeiro a realizar uma reforma agrária no Brasil, quatro séculos antes desse tema movimentar a classe política e a sociedade. Ao mesmo tempo, plantou a semente da industrialização e do desenvolvimento agrícola que fez com que, por volta do ano de 1600, São Vicente fosse conhecida como “o celeiro” do País.

Logo depois de transformar o povoado em Vila, demarcou terras e distribuiu lotes aos colonos. A posse era provisória, em alguns casos, e o donatário poderia utilizar tais lotes enquanto os cultivasse. O uso correto e a produção constante resultavam na outorga do título de propriedade definitivo.

Começou então o cultivo organizado de vários produtos, com destaque para o trigo, a vinha e a cana-de-açúcar. Para estimular o setor açucareiro, Martim Afonso mandou erguer um pequeno engenho movido a água no centro da Vila, o primeiro do Brasil. Com o sucesso, outros foram construídos por toda a região. Em poucos anos, São Vicente passava a vender açúcar e aguardente para outras capitanias brasileiras e exportava esses e outros produtos para o Reino.

O passo seguinte foi a organização de uma empresa mercantil para comercializar o excedente em bases regulares, já que a produção era bem superior às necessidades do consumo local. Martim Afonso, mais uma vez, foi pioneiro em terras brasileiras. Tomou a iniciativa de criar uma instituição para representar os colonos nas exportações e importações negociadas com a Europa.

Tempos de glória

Tamanho era o progresso que muitos colonos pensaram em mandar vir as famílias que haviam deixado em Portugal. Foram tempos de glória, pois todo o movimento econômico da Ilha e redondezas estava concentrado na Vila.

São Vicente abrigou o primeiro empório marítimo da costa, na área do Porto das Naus.

Dali partiram as primeiras expedições portuguesas para o Interior, inclusive a que fundou a Vila de São Paulo de Piratininga.

A agricultura indígena também prosperava nessa fase. Cultivava-se mandioca, milho, arroz, algodão e vários espécies de batatas. Além disso, os índios industrializavam a farinha de mandioca e produziam variado artesanato. A cultura do algodão nativo passou a ser perene e deu origem à indústria de tecidos caseira. Nesse campo, as técnicas dos brancos prevaleceram, embora os índios e os mestiços fossem os tecelões mais hábeis da Capitania.

A criação de gado, cavalos, ovelhas, cabritos e galinhas também começou na mesma época. Trazido da Europa por mar até o Porto das Naus, o gado era levado em seguida para a Bahia e outras capitanias nordestinas. Em direção ao Oeste, chegaram aos currais de Goiás e Mato Grosso. Em Minas Gerais, ficaram famosos os plantéis obtidos de criadores vicentinos. E essa nova atividade econômica gerou empregos para os índios de São Vicente.

Tibiriçá, apoio decisivo

Nos tempos da fundação da Vila, as mais nobres famílias tupis dominavam a região. Pertenciam a diversos grupos como biobeba, carijó, tamoio e tupiniquim. O maior orgulho das tribos estava na força dos guerreiros, respeitados pelos portugueses devido à habilidade em batalha. Os tamoios eram maioria e a convivência deles com os lusitanos, pacífica. A Igreja Católica via nessa promiscuidade uma deformação moral dos
colonizadores. Isto porque logo adotaram os usos e costumes indígenas, em especial a poligamia.
Nos primeiros tempos, só vinham da Europa homens solteiros ou casados sem as famílias. Depois de meses no mar, adotavam o concubinato ao entrar em contato com a simplicidade da moral indígena. A situação era preocupante e surpreendeu os jesuítas recém-chegados. Além de realizar a catequese dos indígenas, passaram a buscar a recuperação moral dos lusitanos.
O cacique Tibiriçá era forte aliado dos jesuítas e amigo dos portugueses. Chefe tupiniquim e sogro de João Ramalho, comandou o desarmamento frente à esquadra de Martim Afonso de Sousa, garantindo o tranqüilo desembarque do fundador.

Conta a história que, ao saber da aproximação das naus, Tibiriçá reuniu 500 guerreiros armados com arcos, flechas e tacape para resistir. Mas, João Ramalho reconheceu a legitimidade da expedição e intermediou as conversações. Tibiriçá e Martim Afonso depuseram as armas.

Tempos depois, atendendo a um pedido dos jesuítas, Tibiriçá transferiu a tribo para o entorno do Colégio de São Paulo, com o objetivo de garantir a segurança. O cacique deu outra prova de fidelidade e amizade aos colonizadores quando impediu, com bravura, um ataque tamoio à Vila de São Paulo de Piratininga, em 1562.

Companhia de Jesus

Aprovada pelo Papa Paulo III em 1540, a Companhia de Jesus era formada por poucos, mas ardorosos membros, preocupados em revigorar a fé católica.

Os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil em 1549, liderados pelo Padre Manoel da Nóbrega, junto com governador-geral Tomé de Sousa. Eram pobres e pouco recebiam da Companhia para sobreviver. Comiam com os criados dos governantes e contavam, mensalmente, com um cruzado de ferro para sua manutenção. Essa quantia era aplicada por eles no ensino dos meninos indígenas.

Foi em São Vicente que o Padre Leonardo Nunes construiu, em 1549, a primeira escola-seminário para os meninos brancos e índios. Ampliada em 1553, tornou-se o 2.º Colégio dos Jesuítas no Brasil.
Mal alimentados, desabrigados, vivendo sem higiene e andando pelas matas e rios de uma aldeia a outra, os religiosos ficavam altamente suscetíveis às doenças. A precariedade era tanta que, em 1552, o próprio Padre Manoel da Nóbrega ainda vestia a única batina trazida três anos antes.
É certo, porém, que o trabalho missionário produziu bons frutos nas vilas de São Vicente e São Paulo de Piratininga, principalmente porque os religiosos percorriam as aldeias distribuindo presentes, socorrendo enfermos e ensinando músicas e brincadeiras às crianças.

Todavia, a interferência dos missionários com relação ao trabalho escravo indígena começou a lhes causar problemas. Cada vez mais, os colonos tratavam os índios com exagerada brutalidade, contrariando a Bula do Papa Paulo III, segundo a qual era vontade do Espírito Santo que se reconhecesse os índios americanos como verdadeiros homens.

A situação agravou-se quando os padres procuraram influenciar as autoridades. Além disso, receberam grandes propriedades por meio de doações dos donatários e, num ato de desafio, decidiram passar a administração dessas terras aos índios. Houve momento em que oficiais da Câmara de Vereadores chegaram a expulsar os missionários da Capitania de São Vicente.

Nesse período, tribos locais também se rebelaram contra o trabalho escravo e atacaram lavouras vicentinas. Invadiram propriedades, destruíram plantações, quebraram ferramentas e ameaçaram os colonos.

Piratas e maremoto

Embora em franco desenvolvimento, com a lavoura de cana-de-açúcar crescendo a olhos vistos, a Vila de São Vicente enfrentou ainda outros problemas.

Na primeira ocorrência grave, o espanhol Ruy Moschera, morador de Iguape, atacou a Vila, saqueou o porto, os armazéns e carregou tudo o que ele e seus homens podiam. Antes disso, derrotou em batalha o Padre Gonçalo Monteiro, vigário e homem de confiança de Martim Afonso de Sousa.

Em 1542, houve o pior desastre natural. O mar agitado avançou sobre a praia e as estreitas ruas. Destruiu a Igreja Matriz, a Casa do Conselho, a Cadeia, os estaleiros, o pelourinho e inúmeras casas. Parecia maremoto. A Vila precisou ser reconstruída um pouco mais distante da praia.

Por volta de 1560, São Vicente sofreu maciço ataque dos tamoios. Aproveitaram-se da ausência dos homens, que estavam em missão de socorro ao Rio de Janeiro. Queimaram as plantações e destruíram as fazendas.

Em dezembro de 1591, a vila foi saqueada pelo pirata inglês Thomas Cavendish, que retornava de um ataque à vizinha Santos. Ele e seus homens roubaram e atearam fogo por toda parte, causando enormes prejuízos. O pirata evadiu-se, mas um temporal impediu-o de seguir viagem. Retornou e tentou nova investida. Desta vez, porém, as populações das duas vilas estavam preparadas. E Cavendish foi repelido.

Em 1615, outro pirata atacou São Vicente. Era o holandês Joris Van Spilbergen, que dividiu seus homens em duas colunas. Enquanto um grupo saqueava a Vila de São Vicente para obter alimentos, o outro invadia Santos. Os piratas ocuparam o engenho e entraram em luta com os moradores locais. Acabaram expulsos e a vida, aos poucos, voltou ao normal.

Com o passar do tempo, os problemas adquiriram outra natureza, em virtude do crescimento econômico da região e de São Paulo. Mas, a tenacidade de sua gente e a mística de ter sido a Primeira Cidade do Brasil fizeram São Vicente atravessar os séculos com altivez e lugar de destaque em nossa História.

Ascendeu a Municipalidade pelo Decreto Real de 29 de outubro de 1700. Tornou-se cidade em 15 de novembro de 1895 e Comarca em 18 de fevereiro de 1959, pelo Decreto Estadual n.º 5285. Em 7 de julho de 1977, ganhou o título de Estância Balneária. Foi Capital do Estado de São Paulo durante 177 anos.

Atrações turísticas

A começar pelos locais históricos onde aconteceram os fatos mencionados acima, a cidade de São Vicente oferece grande número de atrações turísticas. Eis algumas delas:

Praia de Itararé, com 1,6 quilômetro de extensão, é a mais freqüentada por jovens “surfistas”. No cume de um morro, ao qual se chega por teleférico, fica a rampa de lançamento utilizada por centenas de adeptos do vôo em asa-delta e “pára-glider”. Nessa praia localiza-se o famoso Ilha Porchat Clube, considerado um dos mais belos do País;

Praia dos Milionários, com 110 metros, também fica próxima à Ilha Porchat e é um dos recantos procurados pelas crianças. Separa as baías de Santos e São Vicente;

Praia de São Vicente, também conhecida como “Gonzaguinha”, tem 800 metros e fica entre o Marco Padrão e a Praia dos Milionários;

Praia de Paranapuã, com 600 metros, está localizada na encosta do Morro do Japuí, defronte à Ilha Porchat, no lado oposto da barra que dá acesso à baía vicentina. Chega-se a ela através da Ponte Pênsil;

Praia de Itaquitanduva, paraíso preservado, com 300 metros de comprimento, é uma das mais belas da região. Local procurado por surfistas e praticantes de esportes marinhos;

Biquinha de Anchieta – seus visitantes atribuem à água propriedades terapêuticas, espirituais e afrodisíacas. Diz-se que, quem dela bebe, sempre retorna. A fonte servia os jesuítas quando fundaram o Colégio dos Meninos de Jesus;

Feira de Doces, que funciona ao lado da Biquinha de Anchieta, com venda de iguarias típicas da cidade;

Marco Padrão, erguido numa ilhota conhecida como Pedro do Mato, junto à Praia do Gonzaguinha. Inaugurado em 1933, foi doado pela Colônia Portuguesa em comemoração ao quarto centenário da cidade;

Ilha Porchat, cravada entre as baías de São Vicente e Santos, é um dos principais cartões-postais da região. Possui bares, boates, restaurantes e um mirante projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer;

Ponte Pênsil, construída em 1914 pela Casa August Klenne, de Dortmund, Alemanha, liga a ilha ao continente. É o cartão postal mais marcante.

Parque Ecológico do Voturuá (entrada pela Rua Catalão n.º 620), abrange uma área de 850 mil m², com uma das últimas reservas de Mata Atlântica na região;

Horto Municipal, encravado no Parque Ecológico do Voturuá, abre de terça-feira a domingo, das 8 as 18 horas, e exibe várias espécies animais e vegetais;

Museu do Escravo, também no Parque do Voturuá, funciona numa casa de taipa, o típico sistema de construção da antiga Vila. Conta com um salão onde estão reunidas cerca de 800 mil peças esculpidas em argila por Geraldo Albertini. O artista reproduziu cenas doutrora;

Casa do Barão, imóvel com vários estilos arquitetônicos, no centro da cidade (Rua Frei Gaspar n.º 280). Abriga o Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente;

Praça 22 de Janeiro, nela está o monumento ao IV Centenário do Descobrimento do Brasil. Foi projetado e desenhado por Benedito Calixto, e F. Colpaert e inaugurado em 1900. O local conta ainda com o Relógio do Sol, confeccionado em pedra e inaugurado em 1943. Nele também se vê a marcação da latitude e longitude da cidade;

Porto das Naus, próximo à Ponte Pênsil. É o local onde foi construído o primeiro trapiche alfandegário do Brasil, em 1532. Sobre suas ruínas, ergueu-se um engenho, em 1580. O que ali se vê agora data de 1615;

Igreja Matriz, construída em 1757. Em torno dela existe muita história. Em 1532, Martim Afonso de Souza mandou erguer a primeira igreja de São Vicente, na encosta do Morro dos Barbosas. Desapareceu dez anos depois, no maremoto. Outra igreja, construída posteriormente, foi destruída por um ataque pirata.

A maior bandeira do mundo – No topo do Morro dos Barbosas, a municipalidade vicentina mantém hasteada a maior bandeira em mastro do mundo (veja matéria especial em http://www.ojornal.jor.br/10setembro/bandeira.htm ). É o Pavilhão Nacional do Brasil, país que São Vicente ajudou a criar e a tornar gigante, expandindo-o para muito além dos limites fixados no Tratado de Tordesilhas.

(“Link” para “Gestação de São Paulo durou 41 anos em terras vicentinas”)

Paulo Victor de Oliveira Batista
CIM 129851
http://www.virtuatradecenter.com.br

15. Paulo Victor de Oliveria Batista - janeiro 10, 2007

Um tsunami destrói a primitiva vila

E as autoridades realizam o primeiro salvamento subaquático no Brasil
Onda gigante, provocada pelo deslocamento repentino do solo no fundo do mar, o temido tsunami também ocorreu no litoral brasileiro, arrasando a primitiva vila de São Vicente. Algum tempo depois, os vicentinos, já em novo lugar, realizaram o primeiro serviço de salvatagem subaquática em terras brasileiras, quiçá americanas, para recuperar objetos como os sinos de sua igreja. A história foi publicada no caderno especial São Vicente do jornal santista A Tribuna, em 22 de janeiro de 2005 (um mês depois que um tsunami varreu diversos países do Sudeste Asiático e da África Oriental, matando mais de 160 mil pessoas):

Quadro do pintor Carlos Fabra retrata avanço do mar sobre a vila
Imagem publicada com a matéria
TRAGÉDIA
Onda gigante encobriu parte da Vila de São Vicente

Primeira Igreja Matriz e Pelourinho ficaram submersos depois da ação da Natureza

Por volta de 1541, uma grande onda avançou sobre a Vila de São Vicente, encobrindo parte de sua área e deixando submersa a primeira Igreja Matriz e o Pelourinho. O fato histórico é narrado por Frei Gaspar da Madre de Deus, segundo a historiadora Wilma Therezinha Fernandes de Andrade.

Ela explica que em 1797, o historiador beneditino, autor da obra Memórias para a História da Capitania de São Vicente, escreveu sobre a Vila: “…foi, porém, muito breve a duração de seus edifícios porque tudo levou o mar”.

A historiadora adverte, no entanto, que o documento não menciona vítimas nem a data exata do desastre. Segundo ela, lendo as atas da Câmara de São Vicente, Frei Gaspar informa que a invasão do mar ocorreu em 1541, pois em 1º de janeiro do ano seguinte, a Câmara reuniu-se na Igreja de Nossa Senhora da Praia, o que se repetiu em 1º de março “por ter o mar levado às casas do concelho”.

De acordo com Wilma, as pessoas, com medo de nova invasão do mar, reconstruíram a Vila longe da praia. “O governo local providenciou, em 1543, o resgate do que foi possível”.

Gastos – A Câmara teve de gastar 620 réis para fazer o primeiro salvamento subaquático de que se tem notícia no Brasil, e talvez das Américas, conforme a historiadora.

“O governo mandou retirar do fundo do mar o pelourinho de pedra, os sinos da Matriz, objetos caros que valia a pena salvar. Hoje, o pelourinho, relíquia da História do Brasil, encontra-se no Museu Paulista, no Ipiranga (na Capital)”.

Dentre as providências para manter a vila, segundo relata a historiadora, a Câmara chama para São Vicente, em 1542, os moradores do Campo de Piratininga, para se defenderem dos freqüentes ataques dos indígenas.

“Isso demonstra que a vila vicentina ficara despovoada, com pouca gente para a sua defesa. A invasão marítima afugentou os moradores de São Vicente, com receio de novo avanço do mar”, ressalta Wilma.

Explicação – Embora existam poucos relatos sobre o acontecimento, o oceanógrafo André Luiz Belém, professor da Unimonte, explica que é possível ter havido um pequeno tremor na costa da Vila de São Vicente.

Esse tremor, segundo ele, poderia ter ocasionado um deslocamento de camadas de sedimentos, o que fez com que o mar recuasse e depois voltasse, formando uma grande onda.

“Esse é um fenômeno raro de se identificar. Em 1998, houve um que provocou uma onda de dez metros. Na época, o que intrigou os pesquisadores foi que a onda era muito grande para um tremor tão pequeno”, diz o oceanógrafo.

Ainda segundo Belém, outro fator apontado foi que o tremor havia ocorrido muito distante do local onde se formou a grande onda. “Depois de vários anos de estudo, em 2001 ou 2002, eles chegaram à conclusão de que uma camada de terra teria deslizado com força suficiente para formar a imensa onda”.

http://www.novomilenio.inf.br/sv/svh033.htm
Paulo Victor de Oliveira Batista
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16. Paulo Victor de Oliveira Batista - janeiro 11, 2007

MEGA EVENTO NO PAVILHÃO DE CONVENÇÕES DE SÃO VICENTE

UM EVENTO QUE HONRA A BAIXADA SANTISTA

Meus IIr.’. já estou com os convites para a festa de encerramento da
campanha dos IIr.’. BALLOUK e MARINHO candidatos ao Grão Mestrado do
Gosp, como trata-se de chapa unica comemoraremos a festa da vitoria
no dia 03/03/2007 com uma festa para a familia maçonica.

BOI E PORCO NO ROLETE
LOCAL: CENTRO DE CONVENÇÕES DE SÃO VICENTE
HORARIO: 12:00 AS 17:00 HS
PREÇO: 25,00 (CRIANÇAS ATÉ 05 ANOS NÃO PAGAM)

BEBIDAS: A PARTE

RESERVEM SEUS CONVITES POIS O NUMERO É LIMITADO.

QUALQUER DUVIDA,OU SE QUISER RESERVAR O SEU CONVITE ME MANDE UM E-MAIL
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Paulo Victor de Oliveira Batista
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17. Paulo Victor de Oliveira Batista - janeiro 11, 2007

Polícia

Bandido assalta van na Imigrantes, troca tiros e é preso

Em assalto na Vila Tupi, em Praia Grande, na pista norte da Rodovia dos Imigrantes, foi preso em flagrante por roubo qualificado Ricardo Alves Andrade, 22 anos. O jovem havia roubado um caminhão que carregava peças de automóvel avaliadas em R$ 35 mil e rendido dois motoristas, mas foi identificado pelo sistema de câmeras de vigilância da Cidade.
Conforme relatos dos motoristas,, eles foram abordados por Ricardo na Rua 31 de Março, em um semáforo. O bandido, em meio ao forte congestionamento ocasionado pelo tráfego de turistas, os obrigou a acessar a Avenida Presidente Kennedy para fugir com a carga.
“A todo o instante ele nos ameaçava, mas dizia também que nada aconteceria se conseguisse levar a van e a carga”, contou um dos motoristas à reportagem do DL. Ele se referiu ao Mercedez-Benz Sprinter branco, placa DRE 4967 de São Paulo que guiava. O motorista passou momentos sob a mira de um revólver.
De acordo com a Guarda Municipal, a van foi vista em manobras perigosas e a Polícia Militar (PM) foi acionada.
Tendo traçado a então possível rota que seria feita por Ricardo, foi decidido que um bloqueio seria feito no quilômetro 36 da Rodovia. Ao encontrarem o carro, os policiais ordenaram que parasse.
Segundo o cabo Soares, que estava no bloqueio, o bandido não obedeceu à ordem de parar, saiu da Sprinter e começou a fazer os disparos; os policiais revidaram.
Baleado, Ricardo fugiu, mas foi encontrado por volta das 15h30 em uma favela localizada embaixo da ponte do Mar Pequeno. O jovem, segundo depoimento de moradores à Polícia, teria se escondido em um barraco, debaixo da cama de um aposentado de 52 anos.
Ferido, foi levado ao Centro de Referência em Internação (Crei) de São Vicente. Ricardo foi submetido à cirurgia e, até o fechamento desta edição, se encontrava em estado de observação. (04/01/2007)

http://dlitoral.uol.com.br/materia.asp?mat=6266&tipo=materia

Paulo Victor de Oliveira Batista
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18. Paulo Victor de Oliveira Batista - janeiro 12, 2007

ARQUEOLOGIA EM SÃO VICENTE E SANTOS

arqueologia
Vestígios da formação do Brasil
Restos de esqueletos e indícios de um sambaqui ­ encontrados por especialistas da USP e da Unisantos nas ruínas do Engenho São Jorge dos Erasmos, em Santos ­ devem fornecer mais informações sobre o passado pré-histórico e colonial do País

PROCURAR POR

Primeiros passos de um projeto inovador

Lá estava ele, pronto para assumir novamente o trabalho. Seus braços grossos eram a força motriz que fazia a moenda girar e espremer os feixes de cana colocados no tabuleiro. O caldo verde fluía sem cessar, enquanto escorria o suor por aquele rosto negro e por todo o tronco robusto e desajeitado. As mãos cheias de calos ardiam, mas não era permitido parar. Dos lábios, nem uma só palavra, sequer um monossílabo. Os sons que materializavam a dor confundiam-se com os ruídos produzidos pelas engrenagens e dissolviam-se. Passava ele despercebido dentre os outros tantos nativos africanos que perambulavam pelas instalações do engenho. Localizado no sopé do Morro da Caneleira, no município de Santos – antiga Capitania de São Vicente –, esse engenho foi um dos primeiros a serem construídos no litoral brasileiro e um dos pioneiros a alavancar a produção e exportação de açúcar para o Velho Mundo.

Antes da chegada dos negros escravos, foram os índios tupinambás, que povoavam as matas do litoral, os responsáveis pela produção do açúcar nas dependências do Engenho São Jorge dos Erasmos – como foi batizado. Hoje, cinco séculos depois da sua construção, o que se vê são apenas os remanescentes arquitetônicos de modelo açoriano de um dos primeiros centros de produção econômica do Brasil.

As ruínas do Engenho dos Erasmos, em Santos: segredos do passado

Mas o que aos olhos emerge como um cenário composto por tímidos escombros soerguidos é, na realidade, um sítio arqueológico de importância internacional, tombado pelas três instâncias governamentais (municipal, estadual e federal). “O Erasmos é um sítio arqueológico muito importante porque representa uma expressão concreta daquilo que foi o início da formação da sociedade nacional”, destaca o arqueólogo José Luiz de Morais, do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, coordenador-geral das pesquisas atualmente realizadas no Engenho dos Erasmos.

Ainda que tenha uma atmosfera envolvida por certa nostalgia, o engenho não carrega consigo apenas lembranças de um tempo esquecido. Ao contrário: lá os seres e os objetos estão muito presentes, contando eles mesmos a sua própria história. É o que puderam comprovar arqueólogos da USP e da Universidade Católica de Santos (Unisantos) em junho passado, quando, em meio às escavações, se depararam com restos de esqueletos, provavelmente de índios do século 16, e com indícios de um sambaqui – sítio arqueológico pré-histórico – na encosta do engenho. A análise desses restos materiais da cultura dos povos que lá viveram permite que os arqueólogos remontem uma parte da história do País. “Nós, arqueólogos, estamos habituados a estudar a via indireta do trabalho humano: os objetos e as construções. Agora, temos no engenho os próprios agentes da construção desse cenário”, afirma Morais.

Uma mandíbula – A existência de um suposto cemitério no engenho é uma informação antiga, mas que nunca havia se confirmado de fato. Como ponto de partida, a equipe de arqueólogos teve algumas indicações feitas pelo historiador Jayme Caldas, que, em 1957, havia inspecionado buscas no terreno atrás desse cemitério. A única informação precisa era de que ele ficava próximo à “capela”. Restava aos arqueólogos descobrir onde ela estava. “Fomos caminhando com as sondagens até que a pá trouxe um fragmento de mandíbula. O cemitério estava localizado”, conta a arqueóloga Silvia Cristina Piedade, do MAE.

Os arqueólogos em atividade: escavações revelaram ossos de 19 indivíduos

O próximo passo tomado pela equipe – formada por 17 pessoas, entre arqueólogos, técnicos, estagiários e um auxiliar – foi organizar um cronograma de trabalho, que exigiu um mês de escavações. “Escavar por escavar não tem sentido. Tudo precisa ser registrado de modo a recompor o que se está desmontando, senão perdem-se materiais que poderiam fornecer informações de extrema relevância”, alerta Morais. E foi dessa forma que a equipe procedeu. Todo o material encontrado foi devidamente fotografado, documentado e muitas amostras foram colhidas para análises em laboratórios, tais como exames de DNA, parasitológico, de ph. e de datação.

Os arqueólogos escavaram 15 metros quadrados do terreno e lá foram localizadas 33 ocorrências de ossos humanos de 19 indivíduos: 18 adultos e uma criança. Foram encontrados crânios, dentes, ossos longos e esqueletos completos – um deles estava articulado e estendido da mesma forma como foi enterrado. Mas o que chamou bastante a atenção dos arqueólogos foi a posição em que se encontravam os crânios desses indivíduos. No primeiro quadrante aberto, estavam todos voltados para o norte e nordeste e os ossos estavam todos estendidos, o que revela a existência de um padrão de enterramento. “Isso é característica de enterramento indígena, porque os índios sempre enterravam seus mortos com a face voltada para o norte e nordeste. Nós encontramos nesse material muitos incisivos em forma de pá, que é significativo de populações asiáticas. Então, provavelmente os indivíduos desse quadrante são índios”, explica a arqueóloga Silvia.

O engenho foi um dos primeiros centros de produção econômica do Brasil

Ela ressalta que, no segundo quadrante aberto, percebe-se um outro padrão de enterramento. “O que se vê é um emaranhado de ossos longos, misturados com crânios, mandíbulas e dentes que remetem a enterramentos secundários, ou seja, o indivíduo foi tirado e enterrado novamente lá. Crânio completo há apenas um, localizado bem abaixo dos outros e que, pelas características morfológicas, provavelmente é de um negro. Por esse motivo, achamos que estamos lidando com um cemitério que foi usado em várias épocas e não só no início da operação do engenho.” Segundo a arqueóloga, a presença desse crânio que possivelmente é de um negro leva a crer que naquele quadrante todos os ossos sejam de negros. “Mas eles não foram enterrados ali. Disso temos certeza. Provavelmente foram retirados de algum lugar e colocados lá dessa forma caótica. Mas essas informações só se confirmarão com as análises das amostras colhidas”, completa.

Os arqueólogos optaram por não exumar os ossos. Depois de feito um mapeamento detalhado que aponta exatamente o local, o tamanho e a posição em que se encontravam, esses ossos foram cobertos e novamente enterrados. “A idéia era não exumar porque eles estão em péssimo estado de conservação. Se fossem levados a algum laboratório, chegariam lá apenas fragmentos”, diz Silvia. Legalmente, todos os materiais coletados são bens da União e resta ao MAE – detentor da autorização e responsável pela pesquisa – encaminhar os procedimentos de análise e guarda dos materiais. A equipe se ateve a processar esse material. Oito amostras devem ser enviadas aos Estados Unidos para serem devidamente datadas, mas, para isso, a equipe solicitará verba à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, já que cada datação por radiocarbono custa, em média, US$ 720. É possível que mais material seja encontrado, tendo em vista que, até o momento, menos da metade do cemitério foi escavado.

Arquitetura e história – A USP e a Unisantos – que tem um órgão especializado em arqueologia, o Instituto de Pesquisas em Arqueologia (Iparq) – firmaram um convênio em maio de 1995 com o objetivo de implementar ações conjuntas relacionadas à pesquisa, proteção e valorização do Engenho dos Erasmos, sendo ambas responsáveis pelos trabalhos arqueológicos hoje desenvolvidos no local. “Cabe à arqueologia, associada à arquitetura e à história, proporcionar a revivescência do engenho”, diz Morais.

O programa de pesquisas arqueológicas no Engenho dos Erasmos foi concebido por uma equipe do MAE e está dividido em duas fases. Na primeira, que ocorreu entre 1996 e 1997 e foi coordenada pela professora Margarida Andreatta, os arqueólogos realizaram o levantamento e prospecção do local. “Realizamos intervenções no solo e evidenciamos algumas estruturas, fizemos limpeza da área e um trabalho de coleta”, destaca Eliete Brito Maximino, arqueóloga da Unisantos, que também participou daquela fase da pesquisa.

A partir dos resultados obtidos, a equipe coordenada pelo professor Morais se propôs, na segunda etapa, agora em andamento, a resolver questões que ainda permaneciam como uma incógnita para os pesquisadores e envolviam, a princípio, três setores do engenho: o Pavilhão Saya – local onde antigamente ficava instalada a moenda –, o cemitério com a capela e o sambaqui. A equipe contou com o apoio financeiro da Fapesp.

No Engenho dos Erasmos, esqueletos do século 16 indicam traços do Brasil colonial, enquanto os sambaquis remontam a comunidades que habitavam o litoral paulista há milhares de anos

Os arqueólogos fizeram algumas intervenções no solo do pavilhão, com o intuito de verificar o que havia feito Luís Saya – chefe do 4º Distrito da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – nos anos 60, quando aquele cenário fora reconstituído. De acordo com Morais, o registro arqueológico permitiu que se obtivessem informações interessantes acerca das intervenções que não foram anteriormente mapeadas. Em seguida, os arqueólogos dedicaram-se à procura do cemitério. A outra questão a ser respondida era se, de fato, existia no engenho um sambaqui.

A equipe realizou intervenções no então chamado terraço, setor do engenho que fica próximo à capela. “Na minha opinião, a intervenção que foi feita dá a idéia de que lá existe um sambaqui de encosta, extremamente perturbado pela exploração de conchas que eram utilizadas desde o período colonial. A destruição do sambaqui começa com o império português. As conchas eram aproveitadas para fazer argamassa de assentamento ou revestimento. Nós percebemos que em vários trechos dos remanescentes arquitetônicos do engenho há argamassa com conchas de sambaqui”, explica Morais, que está trabalhando com sua equipe na consolidação dos dados obtidos.

A equipe pretende dar continuidade às pesquisas, mas adotando um outro enfoque: a arquitetura. Os arqueólogos pretendem realizar uma arqueografia do engenho, ou seja, um levantamento métrico arquitetônico das ruínas, pedra a pedra. Mas, de acordo com Morais, a decisão “fica a critério do conselho curador do engenho, colegiado responsável pela discussão e indicações de uso qualificado daquele bem cultural”.

A herança de Erasmos Shetz

Nos primórdios do século 16, vivia-se o auge do comércio de açúcar na Europa e não foi por acaso que o rei de Portugal, D. Manuel, decidiu expandir a sua produção para a colônia. O Brasil era o território ideal para o cultivo do produto, já que tinha uma costa com extensão de 8 mil quilômetros de terras férteis. Foi com essa intenção que Martim Afonso de Souza desembarcou na Capitania de São Vicente em 1532, onde fixaram-se os primeiros engenhos de cana-de-açúcar.

A partir da necessidade de infra-estrutura para abrigar todos esses engenhos, Martim Afonso de Souza fundou em 1532 a vila de São Vicente, no litoral paulista, primeiro município do Brasil. Martim Afonso foi responsável também pela construção, provavelmente em 1534, do Engenho do Governador. A escolha do terreno deu-se em função de dois importantes fatores: além de não pertencer a ninguém, próximo a ele passava um riacho que facilitava o transporte da cana e do açúcar e permitia o funcionamento do engenho à base de energia hidráulica. Na plataforma foram construídos muros de arrimo, em posição de domínio sobre a paisagem, de forma que o engenho fosse protegido dos ataques dos índios pelo Morro da Nova Cintra, na retaguarda.

Seis anos depois, o engenho foi adquirido por Erasmos Shetz, que pertencia à tradicional família Shetz, de Antuérpia, conhecida por imprimir sua marca em diversos produtos de forte penetração no mercado europeu e por ter ligações de caráter comercial com italianos, holandeses, franceses, portugueses e alemães, além da Companhia de Jesus. Erasmos Shetz, dono de uma empresa em Leipzig, tinhas negócios que envolviam uma casa bancária, seguros marítimos e minas de cobre e prata. E, sem dúvida, o período mais próspero do Engenho dos Eramos foi aquele em que esteve sob o comando dos Shetz. Lá foram produzidos cana para exportação, rapadura e aguardente para o consumo interno. A decadência da propriedade começou no século 18.

Em 1943, as ruínas foram adquiridas por Otávio Ribeiro de Araújo, que, após lotear a propriedade, doou o engenho para a então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da USP. Por esse motivo, a partir de 1955, como um bem imóvel, o engenho é propriedade da USP, ficando hoje a cargo da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária propor políticas de uso qualificado.

O São Jorge dos Erasmos é o que permite maior facilidade de acesso de pesquisadores e de estudantes, mas não é o único exemplar daquele período que resta na baixada santista. Segundo Eliete Brito Maximino, arqueóloga da Universidade Católica de Santos (Unisantos), existem mais engenhos seiscentistas na antiga Capitania de São Vicente e, destes, o mais velho é o Madre de Deus, fundado por Pero Góis em 1532. Localizado na Ilha das Neves, o seu acesso torna-se um grande entrave, já que é preciso ir de barco, mas Eliete ressalta que há grande interesse por parte dos arqueólogos de estudarem também aquele território, da mesma forma como está sendo feito com o Erasmos. “Acho que vale a pena resgatar esse outro engenho da região porque são poucos os engenhos seiscentistas”, destaca.

Diferentes padrões de enterramento dos esqueletos levam
os pesquisadores a achar que o terreno foi usado como
cemitério em diferentes períodos da história

http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2003/jusp653/pag0809.htm

Paulo Victor de Olieira Batista
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19. Paulo Victor de Oliveira Batista - janeiro 12, 2007

São Vicente recebe Edu Ribeiro neste sábado

O projeto Agita Verão, que acontece durante os meses de janeiro e fevereiro na arena da Praia de Itararé, em São Vicente, litoral de SP, recebe neste sábado, dia 13, o cantor Edu Ribeiro.

O show será baseado no seu último trabalho, o CD e DVD Edu Ribeiro e Banda ao Vivo. Canções como “O Sol, a Lis e o Beija Flor” e “Céu e Mar” estão confirmadas.

O show é gratuito e os ingressos podem ser retirados antecipadamente das 9h às 18h nos seguintes pontos:

º Postos de Informação Turística do Píer do Careca (Avenida Antônio Rodrigues – Gonzaguinha) e da Praia do Itararé (em frente à Avenida Presidente Wilson);
º Na própria arena dos shows e no Complexo de Eventos e Convenções da Costa da Mata atlântica (Avenida Capitão Luis Pimenta, 811 – Parque Bitaru).

Paulo Victor de Oliveira Batista
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20. Paulo Victor de Oliveira Batista - janeiro 21, 2007

São Vicente de hoje,

tem uma população de trezentos mil habitantes, sendo 130.000 favelados. É uma cidade que apresenta um centro bem definido, bairros e periferia. Ocupa o centro geográfico das cidades da Baixada Santista. Depois de um longo inverno, iniciou uma recuperação pioneira por vocação, a partir do fim de século passado, depois da implantação de indústrias de grande expressão: – a INDÚSTRIA DO VIDRO e a INDÚSTRIA DO COURO – a Vidraria Santa Marina e o Cortume Cardamone.

A Ponte Pênsil, inaugurada em maio/1914, a primeira do Brasil , abriu São Vicente, para o sul. Em 1910 , abrira-se São Vicente, também para o Sul, pela porta da Ponte ferroviária dos Barreiros, obra igualmente monumental para a época.

SÃO VICENTE DE ONTEM. Por detrás da humildade e da pobreza material que hoje a caracteriza, São Vicente ostenta, em sua história, as mais expressivas glórias que uma cidade pode almejar:

CIDADE MONUMENTO DA HISTÓRIA PÁTRIA

PRIMEIRO PORTO DA AMÉRICA DO SUL

CÉLULA MATER DA NACIONALIDADE

PRIMEIRA VILA LEGALMENTE IMPLANTADA NAS AMÉRICAS

BERÇO DA DEMOCRACIA NAS AMÉRICAS

BERÇO DA CULTURA BRASILEIRA

BERÇO DA JUSTIÇA BRASILEIRA

Primeira Câmara de São Vicente foi constituída por cinco oficiais (vereadores). Foi eleita e empossada à 22 de agosto de 1.532. Aparecem no quadro de Carlos Fabra:

Martim Afonso, pe. Gonçalo Monteiro, Antonio Rodrigues, João Ramalho, José Adorno e Pero Goes, eleitos pela população da Vila. Foi a primeira eleição realizada nos continentes americanos.

Foi aqui que Leonardo Nunes construiu, em 1549, a primeira escola-seminário para os meninos brancos e índios, que, ampliada em 1553, tornou-se o 2.º Colégio dos Jesuítas do Brasil. Aqui foram encenadas as primeiras peças de teatro, pelos estudantes, em palco montado ao ar livre, na Biquinha, ou no interior do colégio. Daqui partiram as primeiras expedições bandeirantes para o sertão, segundo o vaticínio de Manoel de Nóbrega quando escreveu que “São Vicente é a porta e o caminho mais certo e seguro para as entradas ao sertão”. Em São Vicente implantaram-se as bases da economia brasileira agrícola e Industrial, com a construção dos primeiros engenhos de açúcar. Daqui espelhou-se a criação de gado, eqüinos, suínos, muares e ovelhas para o Sul, Oeste e Norte. Foi aqui que Amador Bueno da Ribeira recusou a coroa real que o povo, por aclamação lhes quiz

mais informações visite o site abaixo, por sinal ótimo.
http://www.geocities.com/Athens/Acropolis/6710/barra.htm

21. Paulo Victor de Oliveira Batista - janeiro 25, 2007

SÃO VICENTE
UM POUCO DE HISTÓRIA

A história de S. Vicente se confunde com a história do Brasil e com a história da formação do Estado de São Paulo.

A tomada de La Pelerine, diz Capistrano de Abreu (“Capítulos da História Colonial” 1500-1800), a feitoria francesa fundada em Pernambuco, e notícias de preparativos para se fundarem outras feitorias francesas ao longo do litoral brasileiro, espancaram finalmente a inércia real portuguesa. (1)

Escrevendo a Martim Afonso de Souza, a 28 de setembro de 1532, anuncia-lhe el-Rei D. João III a resolução de marcar a costa brasileira, desde Pernambuco até o Rio da Prata e doá-la em Capitanias de cinquenta léguas cada a nobres e homens de confiança do governo português. Martim Afonso teria cem léguas e seu irmão, Pero Lopes, seria um dos donatários. (1)

Os donatários seriam senhores de suas terras: teriam jurisdição civil e criminal, com alçada de até cem mil réis na primeira e com alçada no crime, até a condenação a morte, para escravos, índios, peões e homens livres. Para pessoas de maior qualidade até dez anos de degredo ou cem cruzados de pena. Na heresia (se o herege fosse entregue pelo eclesiástico), traição, sodomia, etc… , a alçada iria até a pena de morte, qualquer que fosse a qualidade do réu, dando-se apelação ou agravo, somente se a pena não fosse capital.(1)

Os donatários poderiam fundar vilas com termos, jurisdição, insígnias (pelourinhos), ao longo das costas e rios navegáveis; seriam senhores das ilhas adjacentes até dez léguas da costa; os ouvidores, os tabeliães de público e judiciais seriam nomeados pelos respectivos donatários que poderiam livremente dar terras de sesmarias exceto à própria mulher e ao filho herdeiro.(1)

Em suma, D. João III criou uma estrutura feudal e tratou de armar os donatários de poderes suficientes para evitar possíveis usurpações análogas às ocorridas na história portuguesa da idade média.(1)

O veneziano Pedro Caraldo dá notícias de uma esquadra anterior à de Martim Afonso (documento de 1533) onde teriam vindo três caravelas, cada uma com dez a doze condenados à morte, mas não existe documentação maior além desse relato. Essa armada explicaria uma série de pontos obscuros da história. Os documentos mais antigos da doação da capitania datam de 1534.

A esquadra de Martim Afonso partiu de Lisboa a 16 de dezembro de 1530, com cinco embarcações e quatrocentos homens, sendo o piloto principal e imediato de Martim Afonso, seu irmão, Pero Lopes. Aportou em Pernambuco em 17 de fevereiro de 1531 (“Diário de Pero Lopes”).

Martim Afonso de Sousa demorou um ano para chegar a São Vicente. Chegando a Pernambuco, dali, mandou de volta João de Sousa com informações para o rei e seguiu para o sul, aportando na Bahia, onde se encontrou com Caramuru. Percorreu a costa, enfrentou tempestades e, já próximo a São Vicente, resolveu ir até o Rio da Prata, atendendo à ordem de D. João III para demarcar a costa e adiando o desembarque e a fundação da Vila. No dia 30 de abril de 1531, ao meio-dia, ele entrou na baía da Guanabara, onde mandou construir uma casa forte e instalar uma ferraria para reparo das naus. A 1º de agosto a expedição continuou seu caminho, chegando, no dia 12, à baía de Cananéia, onde encontrou portugueses e castelhanos.Nessa viagem pelas costas brasileiras, durante quase um ano, enfrentou tempestades, o naufrágio da nau capitânea e um combate com navios franceses que faziam contrabando de pau-brasil. No dia 20 de janeiro de 1532, o comandante vê surgir a ilha de São Vicente.O mau tempo, porém, impediu a entrada dos navios na barra, o que só ocorreu no dia 22.

Em São Vicente já existia uma pequena povoação, bem como o nome já havia sido definido desde 1502, quando uma flotilha de três navios foi mandada pelo rei D. Manuel para explorar a costa brasileira. Esta primeira expedição, comandada pelo capitão Gaspar de Lemos, teve a participação do navegador florentino Américo Vespúcio, encarregado de anotar os acidentes geográficos. Os navios chegaram a Porto Seguro em julho de 1501 e, a partir daí, foram descendo e dando nome a rios, baías e ilhas. No dia 22 de janeiro de 1502 (coincidentemente, exatamente trinta anos antes da chegada de Martim Afonso), a expedição chegou a uma ilha que era conhecida como Guayó, à qual foi dado o nome do santo do dia: São Vicente.

Logo depois de chegar a São Vicente e instalar a organização administrativa que transformava o povoado em Vila, Martim Afonso de Sousa mandou demarcar terras e as distribuiu em lotes aos colonos. A posse era provisória, em alguns casos, e o donatário poderia utilizá-la apenas enquanto a cultivasse. O uso correto e a produção constante resultavam no título definitivo de propriedade.

Dois homens que se destacaram nos primórdios da fundação de São Vicente foram João Ramalho e Brás Cubas.

João Ramalho é uma das figuras mais controvertidas da história da Capitania de São Vicente. Temido pelos jesuítas e portugueses por sua valentia, foi adorado pelos índios e, com sua família, fincou as raízes de povoações que deram origem às cidades de Santo André e São Paulo, a cujas Câmaras pertenceu. Esse português de Vouzela, segundo alguns, ou de Coimbra, segundo outros, já morava por aqui quando Martim Afonso de Sousa chegou. Ninguém sabe como aportou aqui. Não há registros e ele próprio jamais contou. É um mistério que nenhum historiador conseguiu decifrar. O pesquisador e ex-presidente da República Washington Luiz considera que ele foi um dos primeiros – talvez o primeiro português – que se fixou no porto de São Vicente. Uma das possibilidades era ter sua chegada ocorrida com a expedição citada pelo veneziano Pero Caraldo.

João Ramalho se destacou entre o litoral e o planalto, abrindo picadas, criando aldeamentos (fundou Santo André) e utilizando sua amizade com os índios para facilitar a colonização. Esteve em choque com os padres porque vivia maritalmente com várias índias, “filhas dos maiorais”. A reconciliação ocorreu quando se casou com a índia Bartira, filha do cacique Tibiriçá. Foi ele também vereador em São Paulo, Santo André, alcaide-mor do campo e figura respeitadíssima pelos moradores dos vilarejos, apesar de inculto e selvagem. Morreu com mais de 80 anos.

Brás Cubas, jovem criado de Martim Afonso, outro dos primeiros povoadores, aportou em São Vicente em 1540. Governou mais de uma vez a terra, guerreou contra os Tamoios, fortificou Bertioga, fundou a vila de Santos que possuía melhor porto e mais tarde empenhou-se na busca de ouro.

Começou-se, então, o cultivo organizado de vários produtos, com destaque para o trigo, a vinha e a cana-de-açúcar. Para estimular o setor açucareiro, Martim Afonso de Sousa mandou erguer um pequeno engenho movido à água no centro da Vila, o primeiro engenho do Brasil. Com o sucesso desse primeiro, outros engenhos foram construídos em toda a região e, em poucos anos, São Vicente já vendia açúcar e aguardente para outras Capitanias brasileiras e até exportava os produtos para o Reino.

Com o sucesso alcançado, o passo seguinte foi a organização de uma empresa mercantil para a comercialização do excedente, já que a produção era bem superior às necessidades do consumo local. Martim Afonso de Sousa, mais uma vez, foi o pioneiro em terras brasileiras. Foi dele a iniciativa de criar uma instituição que representasse diretamente os colonos nas negociações de venda local e exportação dos produtos locais, além da intermediação da aquisição de gêneros europeus.

O progresso da Vila era tal que muitos colonos portugueses pensaram em mandar vir as famílias que haviam deixado para trás. Foram tempos de glória, pois todo o movimento econômico da Ilha e redondezas era concentrado aqui. São Vicente abrigou o primeiro empório marítimo da costa, que se localizava onde hoje está o Porto das Naus. Também foi daqui que saíram as primeiras expedições portuguesas para o Interior, inclusive a que fundou a Vila de São Paulo de Piratininga.

A agricultura prosperava nessa fase. Os índios cultivavam a mandioca, o milho, o arroz, o algodão e várias espécies de batatas. Além disso, eles industrializavam a farinha de mandioca e produziam variado artesanato. O algodão nativo passou a ser cultivado, dando origem à indústria caseira de tecido. Nesse pormenor, as técnicas dos brancos prevaleceram sobre as nativas, embora os índios e os mestiços fossem os tecelões mais hábeis da Capitania.

A criação de gado, cavalos, ovelhas, cabritos e galinhas também teve início nessa época. Trazido da Europa pelo mar até o Porto de São Vicente, o gado era levado para a Bahia e outras Capitanias do Nordeste. Na direção do Oeste, chegaram aos currais de Goiás e Mato Grosso. Em Minas Gerais, eram famosas as manadas de gado dos criadores de São Vicente.

Destruída por violenta ressaca em 1542, a primitiva vila desapareceu.O mar agitado avançou demais, engoliu a praia a entrou pelas pequenas ruas, destruindo a Igreja Matriz, a Casa do Conselho, a Cadeia, os estaleiros, o pelourinho e inúmeras casas. Foi reconstruída mais acima, ao lado da Matriz de São Vicente, edificada em 1552 e onde se encontram enterradas figuras da história vicentina. A decadência começou quando a economia se voltou para o interior da Capitania e descobriu-se que outro porto, do outro lado da ilha, em Santos, tinha melhor calado e condições para operar com as embarcações mercantes.

Por volta de 1560, São Vicente sofreu um maciço ataque dos índios tamoio. Eles se aproveitaram da ausência dos homens, que haviam sido chamados em uma missão de socorro no Rio de Janeiro, e queimaram as plantações, quebraram as ferramentas e utensílios agrícolas e destruíram as fazendas.

Em dezembro de 1591, a São Vicente foi saqueada pelo pirata inglês Thomas Cavendish, que retornava de um ataque a Santos. Ele e seus homens roubaram e atearam fogo em diversas partes da Vila, causando enormes prejuízos. O pirata fugiu, mas um temporal o impediu de seguir viagem Ele retornou e tentou uma nova investida. Porém, desta vez a população das duas vilas estava preparada e Cavendish foi repelido.

Em 1615, outro pirata atacou São Vicente. O holandês Joris Van Spilbergen dividiu seus homens e, enquanto um grupo saqueava a Vila para obter alimentos, o restante dos homens invadia a vila vizinha. Os piratas ocuparam o engenho e entraram em luta com os moradores locais. Os invasores foram expulsos e a vida, aos poucos, voltou ao normal.

São Vicente foi a primeira sede do que hoje é o Estado de São Paulo, bem como o primeiro nome da região. Foi de São Vicente que partiram os exploradores que iriam fundar as principais cidades que proporcionaram a colonização do planalto de Piratininga – São Paulo e demais cidades, e que levariam ao centro oeste do Brasil.

Hoje São Vicente é uma cidade de 302.000 habitantes (censo IBGE-2000) e 146 quilômetros quadrados e tem como principal atividade econômica o turismo. Abrigou a primeira câmara municipal das américas e foi a primeira cidade brasileira.

São Vicente é considerada Cidade Monumento da História Pátria, Cellula Mater da Nacionalidade, pela Lei Federal 4603/65. Foi a Capital dos Paulistas durante 177 anos.

http://br.geocities.com/gilbertomaschio/SaoVicente/historia.htm

Paulo Victor de Oliveira Batista
CIM 129851
https://paulovictor.wordpress.com

22. gaspar - junho 15, 2007

Olá,
Meu nome é Jose Gaspar sou artista plastico ,estou desenvolvendo um trabalho baseado no cataclisma ocorrido em 1542,nas eu acho pouco provavel um maremoto pois se isso ocorreu de fato , porque o vilarejo afundou ,isso nao “bate ” Um professor que conheço diz que um meteoro destruiu o vilarejo e ai sim eu acho provavel .Pode falar sobre essa possibilidade?
Muito obrigado
gaspar

23. Marcia - novembro 29, 2009
24. Marcos Douglas - janeiro 14, 2011

Como vai.Meu nome é Marcos eu gostaria de saber sobre aquelas ruinas de um navio ao lado da ponte pencil na prainha, historia qual quer coisa . De pronto eu agradeço .

25. Bobo - março 11, 2011

Porcaria!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!super chato!!!!!!!!!

26. Márcia Gouveia - março 24, 2011

Você poderia me informar sobre o bairro do México 70?
Sua história?
Sou professora e preciso fazer um projeto que fale sobre o México 70. Quero começar pesquisando sobre a origem do nome do bairro. Obrigada.

27. Christianne M. Fernandes - junho 6, 2011

Gostaria de saber se o senhor sabe de fato se Sao vicente era separado de Santos por um canal que foi aplanado na direçao do Matadouro.Nossa senhora de fatima e Antonio emerick.Obrigada

28. jose.nailton - maio 13, 2012

eu.quero.saber.a.origen.do.meu.bairro.itararè

29. edneide - maio 24, 2012

jesus negosso complicado meu paio me acuda m ja viu passa deve sem explica

30. edneide - maio 24, 2012

tenho so 8 anos carraio

31. Aline Machado - janeiro 25, 2015

Boa noite, gostaria de saber, a respeito daquela embarcação que naufragou, perto da Ponte Pênsil?

32. Juliano Narcizo - julho 18, 2016

Boa noite, Sr. Paulo Victor,
Sou morador do Bairro do Ilha Porchat, estou promovendo um abaixo assinado e representação no MP, para conservação, correções, e respeito ao Bairro Ilha Pirchat em toda sua topografia, e gostaria de saber um pouco mais sobre o tombanento do Bairro em 1988, e a proibição de construções de casas e edifícios por aqui, que estão depreciando , desnatando e etc… O que o sr. saberia me dizer a respeito, obrigado
Aguardo resposta no e-mail


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